O poder dos Nano influenciadores

Com a chegada das redes sociais, o mundo do marketing passou por grandes mudanças. Se antes, o grosso desse universo envolvia cenários mais estáticos, como outdoors, anúncios e propagandas de TV que se repetiam ao longo do dia, agora a velocidade é outra e essas conexões pontuais não bastam, é preciso ter uma relação mais constante com o consumidor para que sua marca seja lembrada.

Com isso, entram em cena os influenciadores, que pelo uso ativo de redes sociais, passam a ter influência na vida de milhares de pessoas. Pessoas como Felipe Neto, Carlinhos Maia, Maísa, entre outros, ao mesmo tempo que são marcas por si próprio, também oferecem credibilidade para outras marcas, usando produtos no seu sempre divulgado cotidiano. É um marketing sem cara de propaganda, apostando na relação de confiança entre o influenciador e o fã deste para que a publicidade pareça mais orgânica.

Só que ainda mais próximo do público do que o influencer com mais de um milhão de seguidores, é aquela pessoa “famosinha” do bairro, que, com seus 3k de seguidores no Instagram, pode passar batido pelas grandes marcas, mas que comércios locais podem se interessar. Esses são os chamados nanoinfluenciadores, que possuem seguidores entre 1k e 10k, pessoas que não são famosas a nível nacional, mas cuja a presença na redes sociais é forte o bastante para atrair o interesse de comércios locais para divulgar a sua marca. Se a Domino’s procura o Whindersson Nunes para realizar sua divulgação, a pizzaria do seu bairro talvez procure aquele seu conhecido popular na região para espalhar a sua marca. 

Joyce Andrade, 24, estudante de Engenharia de Produção e moradora de Santa Cruz da Serra, é uma nano influenciadora com conteúdo voltado para estética e moda, e já acumula mais de 3 mil seguidores na sua conta do Instagram, algo que estabelecimentos da região notaram e usam a seu favor. Entre compartilhamentos de sua rotina de exercícios, divulgação da sua loja digital e conversas com seus seguidores, aqui e ali Joyce anuncia promoções de restaurantes, indica um salão de beleza ou loja de roupa local. A transição do uso de redes sociais para algo mais profissional foi bem natural: “uma conhecida minha que vendia roupas me chamou para ser modelo, e eu resolvi filmar os figurinos e postar no meu Instagram. Nesse momento vi que muitas pessoas interagiam comigo, e tinha interesse em comprar as peças postava”, contou Joyce. A partir disso, a jovem passou a ser abordada por agências e marcas, que oferecem roupas e descontos em troca da divulgação, e hoje, o Instagram passou a ser ferramenta de trabalho. Carolinne Sobreira, moradora de Magé de 24 anos com conteúdo também voltado para moda e estética, conta que o uso da rede social teve grande mudança com a posição de influencer: “eu vi que preciso sempre estudar estudar e estudar, ter boas informações pra passar ao meu público. Criar conteúdos mais sérios, fazendo parcerias com lojas. Ou seja, tive que mudar pequenas coisas na minha rotina, criar cronograma pra postagens de tal vídeo. Ser mais responsável nesse meio.”

Apesar da organização necessária para se construir uma imagem na internet, o grande chamariz dos nano influencers é a sensação de informalidade que suas recomendações possuem. A base dos seguidores dos nanoinfluencers são pessoas com as quais ela tem contato, ou amigos de amigos, de familiares e assim por diante, logo, suas indicações nas redes soam menos como propaganda, e sim como um conhecido te indicando um produto. É o velho “boca a boca”, mas otimizado para a era digital, e um pouco mais personalista. Pode parecer pouco, mas é de grande valor para pequenos comerciantes, como Lyssa Gomes, 32 anos, proprietária da pizzaria Di Dois, de Duque de Caxias, localizada próximo ao bairro de Jardim Barro Branco, que, por meio de sua parceria com Joyce, encontrou meios de expandir seu negócio. “Nosso serviço era muito mais centrado aqui em Bairro Branco, quase não atendiamos outros lugares” diz Lyssa, “observamos o perfil da Joyce vimos que ela era muito ativa no Instagram e com um bom número de seguidores, e entramos em contato com ela”. A expectativa com a parceria era de conseguir expandir a área de serviço, e deu certo. “Já no primeiro mês observamos que os locais de entrega se diversificaram, hoje atendemos a diversos bairros da região e nossa presença digital também aumentou, e hoje contamos com quase 3 mil seguidores”, a situação também mudou a visão que a comerciante tem do Marketing, já que ela testemunhou a importância de ser dar um rosto a publicidade, se antes o comércio dependia de panfletos, imãs de geladeira e afins, agora essa impessoalidade não tem mais espaço.

Pablo Vallejos, professor de Jornalismo e Publicidade na Estácio de Sá, observa que tanto os nano influencers quanto os comércios locais operam de modo semelhante, “o comércio local são conhecidos por pessoas de um bairro, são pontos de referência pelos moradores de uma comunidade, e esses influencers também são locais, são influencers de Bangu, de Madureira, etc, e nesses espaços eles são conhecidos, os tornando relevantes. Se eles indicam certo comércio, são grandes as chances desse lugar se tornar popular”. Andressa Arana, professora de Psicologia do Consumidor na Unigranrio, aponta que “nesses tempos de pandemia e isolamento social, as pessoas buscam por conexões mais próximas, assim, essa aparente informalidade, que gera uma conexão mais forte, é de grande valor, tanto para o comércio quanto para os influencers, acredito que este seja o ano dos nano influencers” conclui Andressa. Esse segmento do mercado de influência foi destaque no YouPix Talk de janeiro deste ano, onde o fundador do LDRV, Ananias Neto, reforçou esse aspecto mais íntimo dessas pessoas. “O nano influenciador gera uma troca profunda com a audiência dele. É uma pessoa com a qual o público se identifica e sente uma sensação de segurança, pois os dois lados vivem as mesmas coisas”. 

Para o cenário geral, a figura do nano influencer pode passar despercebidas diante dos gigantes do meio. Mas um olhar atento para a atuação dessas pessoas em suas comunidades revela o impacto significativo que eles podem ter na economia local.

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