O Discreto Charme da Burrice

A burrice é universal.

É uma condição humana, uma possibilidade comum a todos. O burro não tem consciência que é burro, tendendo a reproduzir sempre as mesmas ações ou o mesmo discurso, sem se importar com as críticas, mesmo que construtivas.

Talvez, ao analisarmos o significado das palavras, burro e egoísta sejam bastante semelhantes. O egoísta tem a visão de mundo limitada, preocupando-se apenas com seus interesses, olhando sempre pela perspectiva do próprio umbigo. Além disso, não exerce minimamente a empatia, não se importando com possíveis danos causados a outrem. O burro ganha um adendo: além de não importar-se com o outro, ignora ou desconhece que também está causando dano a si mesmo.

Soma-se isso à naturalização da mentira, que ganha cada vez mais espaço em nossa sociedade, e teremos o burro teleguiado. A informação falsa em momento algum passa por uma reflexão, onde há o trabalho de verificar a veracidade do que foi recebido. Pelo contrário, a inverdade é disseminada em massa, anulando qualquer preceito ético e moral.

Essa banalização desvaloriza a intelectualidade, o pensamento crítico, e abre espaço para sistematizarem a produção de conteúdos manipuladores. “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, disse Goebbels, ministro da propaganda nazista de Adolf Hitler. Nesse contexto, ignora-se a verdade factual. A verdade ideológica está em cena. Basta dizer às pessoas o que elas desejam ouvir. Não à toa, o mundo passou (e ainda passa) por inúmeros processos de alienação, com a população completamente alheia à realidade, aos acontecimentos envolvendo sua Nação e seu Governo.

Em tempos de intolerância, a burrice se manifesta cada vez mais presente e orgulhosa. Os burros têm orgulho de serem burros. “Olha aqui, eu sou um completo idiota!”. Mostremos o contraponto à notícia fantasiosa: o burro vai dizer que não é o suficiente. Mostremos implicações judiciais que o coíbem de tal discurso (em sua maioria, de ódio): o burro vai dizer que é um pensamento progressista demais, o
famoso “mimimi”.

Há uma fantasia nesse discurso maniqueísta. E é claro que a burrice, prepotente que só, se põe no lugar do Bem. Numa análise pessoal, eu diria que o egocentrismo que ronda essa “classe social” não se assemelha ao conceito de bondade. 
O homem que se torna simples receptor/reprodutor de falácias perde a sensibilidade, a capacidade de questionar, de opinar. Talvez, a burrice vá contra até mesmo a racionalidade humana.

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