Não haverá Marta para sempre

O futuro da seleção feminina vai depender do esforço, investimento e apoio das instituições e sociedade.

Para garantir que haverá Cristianes, Formigas e Martas para sempre, é preciso investir nas categorias de base, na criação de mais escolinhas de futebol feminino, mais campeonatos femininos e financiar projetos de incentivo ao esporte feminino. Assim como em 2010, quando a prefeitura de São Paulo criou o Centro Olímpico, único clube de base exclusivo para garotas, e o projeto decolou com sucesso até encher os olhos do clube São Paulo que assumiu a gestão do time.

Mais prefeituras devem tomar essa iniciativa, mais clubes tradicionais devem criar centros de treinamento ou dividir o uso do seu próprio CT para o clube feminino, como cedem para seleções masculinas em campeonatos internacionais. Desde 2010, depois da criação do Centro Olímpico, o número de garotas ingressando no esporte aumentou, são 4 categorias com cerca de 25 a 30 jogadoras em cada equipe e, claro, o Centro Olímpico não consegue atender esse número de jogadoras. Isso porque são jogadoras de vários lugares do Brasil. Jogadoras de clubes como o Avaí, viajam uma vez por mês até São Paulo para treinar no Centro Olímpico, o que exige um custo absurdo. Além disso, os clubes que hoje têm sua categoria feminina de base, não oferecem alojamento e nem escola ou faculdade.

Sabe-se que não é tão simples, a demanda de atletas é muito grande e muito nova, e é preciso um planejamento de como atender essas atletas da melhor forma. Mas, atender essa demanda é preciso e é urgente, porque o futebol feminino já esperou tempo demais e precisa ser tratado com o mesmo respeito e dignidade que é oferecido ao futebol masculino. Marta pediu o abraço das mulheres do Brasil e seu pedido foi atendido no desembarque da seleção em São Paulo. As mulheres continuam fazendo sua parte, dentro e fora de campo. Mas é preciso que as instituições também financiem, colaborem, porque ainda se trata de uma realidade difícil E sem financiamento dos próprios clubes, das prefeituras e do estado, e de patrocínio que pague IGUALMENTE essas atletas… não haverá mais Martas.

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