Mec Christmas

O Natal precisa de um símbolo que fale mais sobre o Brasil do que sobre a Europa.

Nada se tornou mais previsível do que as discussões que passaram a envolver as ceias das famílias brasileiras e suas nuances nos últimos anos. A batalha do espírito natalino vs espírito de consumo; o simbolismo cristão vs simbolismo pagãoarroz com passas vs arroz sem passas. Essa salada ainda ganhou um toque especial com o acalorado momento político do país, acrescentando uma pitada de críticas sociais fodas e tornando essa ceia BR uma grande fan fic 4/10. Apesar de ser clichê, o povo brasileiro aceitou a identificação que rola entre as famílias com as confusões de fim de ano. Criando, inclusive, personagens chaves para esse evento, como o tio reaça, a prima lacradora, a vó que pergunta sobre os namoradinhos etc. Na internet, os jovens se deliciaram com os memes envolvendo esses relatos. Entretanto, a identificação que envolve esses elementos populares da cultura brasileira gira em torno de uma persona que, sinceramente, brocha toda a emoção criada nessa grande fan fic: O PAPAI NOEL!

O bom velhinho que foi inspirado em São Nicolau, um bispo católico que viveu na cidade de Mira, atual Turquia, no século 4, ficou conhecido por sua bondade e atenção com as crianças ao distribuir presentes no seu aniversário — em 6 de dezembro. Ele teve a imagem espalhada pela europa e foi ganhando adaptações, até se confundir com a data do aniversário de Jesus, em 25 de dezembro (?). No século 19, na Alemanha, ganhou roupas de inverno, renas, um trenó e uma casa nova: o Pólo Norte. Até então, a figura do velho era representada por um homem branco, alto e magro, com roupas de variavam de cor. Só em 1881 que ele foi ficar gordo, barbudo e com os trajes vermelhos. O toque final na imagem veio em 1931, quando num comercial para a Coca-Cola o desenhista Haddon Sundblom acrescentou o gorro e o saco de presentes. A produtora do elixir preto do diabo popularizou a imagem do bom velhinho e ditou a comunicação no mundo moderno. Após ter a imagem consolidada, no Brasil o nome se consolidou a partir da influência do idioma francês, em que “Noël” significa “Natal”.

Eu sei que você provavelmente perdeu o interesse no texto após essa sequências de parágrafos que mostraram que esse cara veio de longe pra caralho, um tempão atrás, passou por um monte de adaptação e, ainda sim, não tem nada a ver com a gente. E esse texto é justamente pra isso. Não é sobre o nacionalismo barato que o totalitarismo brasileiro tentou implementar varrendo referências estrangeiras no século 20. Se cada relato de ceia se resumisse a uma imagem, ela passaria muito longe da imagem atual do Papai Noel. E, já que ele foi se adaptando conforme o tempo e o local, por quê não criar a nossa adaptação? Personagens são o que não faltam. Ter um símbolo que representasse as semelhanças que envolvem as famílias brasileiras, que unisse todas as tribos, faria do nosso natal um grande NORVANA.

E é isso que nos falta!

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