A moda na mão de quem faz

A independência na moda cria demandas por mais oportunidades à negros e estéticas antes vistas como feias. Influencers, projetos comerciais e modelos fazem seu caminho identitário

No mês de agosto é comemorado o Dia Internacional da Moda (22). Uma indústria com estilistas, modelistas ou modelos já é segmentada para beleza branca, magra e, normalmente, com dinheiro. A geração que está chegando impõe ao mercado demandas diferentes para a identificação, beleza e representatividade. As modelos gordas, pretas e faveladas em capas de revistas famosas são realidades mais recorrentes nos últimos anos. Essa  conquista de espaço vem da independência, criatividade e da transformação de autoestima em potência artística.

Quando pensamos em moda, logo imaginamos marcas como Gucci, Coco Chanel, passarelas enfeitadas com modelos magras, altas e dentro de um padrão de beleza inalcançável, e que ajudou a construir uma opressão em cima de corpos diferentes. A moda como conhecemos pode ser utilizada apenas para o seu próprio fim, como o não ficar nu, ou por pura estética, para pertencer a um grupo. A indústria “tradicional” da moda é construída em cima de autoritarismo, ditando aquilo que é tendência: seja cor, o tamanho da roupa, se saltos altos ou baixos, inclusive quais corpos são aceitáveis para tal moda. A moda tradicional dita tendências, estilos, o que é bonito; mas quem é que está por trás disso tudo? Fomos ensinados a admirar tudo o que vem de fora, a beleza-branca-europeia, todo nosso ensino é eurocentrado, estamos acostumados a olhar para nós com uma narrativa branca, inclusive na moda. 

Históricos preconceituosos e imagens de desconstrução

Durante as manifestações do Black Lives Matters, diversas marcas demonstraram apoio a causa em suas redes sociais, mas muitas delas não passaram de um simples post para ganhar engajamento e não ser “cancelado”. O perfil – já deletado – Moda Racista, trouxe diversas denúncias de modelos, assistentes, stylists, entre outros profissionais da área, que sofreram racismo, xenofobia e assédio moral cometidos por grandes nomes da moda brasileira, entre eles Glória Coelho e Reinaldo Lourenço. Glória, que apenas um vestido de sua marca custa mais de R$2.000, ignorava todas as modelos negras que participavam de seu cast. A DJ Luisa Viscardi contou à revista Marie Claire que quando trabalhou na equipe de criação de Gloria Coelho, a estilista disse que ela tinha “cara de europeia, era branquinha, do jeito que ela gostava”. Foi uma enxurrada de críticas e denúncias sérias que escancaram a realidade da alta costura. Segundo o filósofo George Simmel, as modas são sempre “modas de classe”, porque elas querem se diferenciar das classes inferiores, já que a moda tem a necessidade de distinção e de separar. Vemos isso na necessidade de ostentar nomes de alta costura.

O perfil Moda Racista expôs na rede diversos casos de racismos na moda brasileira

Com a internet houve uma abertura independente (patrocinada também) por novas maneiras de comunicar belezas e comportamentos. Produtores de conteúdo de moda, serviços e estéticas das favelas, por exemplo, tem formas linguísticas e vestimentas específicas da cultura.

Nesta perspectiva, os filmes do cineasta Emílio Domingos trazem esse movimento característico nas estéticas das favelas nos últimos anos. “Deixa na Régua” (2016) e “Favela é Moda” (2019) detalham como é trabalhada a moda na visão de autoestima e consciência de mercado para profissionais, neste último caso o Favela é Moda.

Muito mais que capturar a atenção da estética para vender mais produtos (marketing) e procedimentos estéticos, o apontamento de quem faz acontecer a moda periférica é também de um caminho a seguir. Uma referência, exemplo do que é belo e pode ser a realidade por quem constrói por si e pela comunidade.

Favela e Moda: “acesso, compreensão, aproximação e oportunidade”

É nessa ideia que a Jcré Facilitador (antes Jacaré Moda), – escola de modelos, desenho de moda e beleza, que oferece cursos de barbeiros, designer de sobrancelha, make, tranças afro e manicure – vê a busca de oportunidades para quem sonha com caminho que já foi pré-definido como um lugar não pertencente  de pretos e favelados do Jacarezinho: a passarela. Ao explorar, com pé no chão, a potência identitária do lugar onde se vive.

O presidente da Jcré, Júlio Cesar da Silva Lima, – que também é uns principais personagens do documentário de Emílio – lembra que mesmo com prêmio do filme os investimentos para o projeto não aconteceram, e até foram agravados com a pandemia. “Se o contexto fosse outro, poderíamos ganhar mais oportunidades, mas por enquanto não”, lembrou ele.

Foto: Reprodução Jcré Facilitador

Há 19 anos no mercado, a empresa de Júlio César vê o acesso a potência da periferia à uma linguagem prática.

“A moda é uma tendência, ela muda e avança, e muitas vezes até a favela entender essa linguagem, que tem mudanças acadêmicas constantes, demora quando ele já pratica há muito tempo e a moda usa como discurso inovador. Há muitos e muitos anos eu vejo minha mãe, preta, pobre e favelada sendo sustentável, e aí ela não entende deste discurso, e aqui que a Jcré entra, trazendo acesso, compreensão, aproximação e oportunidade e não inclusão social porque quem inclui depois desinclui”, disse ele.

Foto: Alessia Cacciotto

Sobre a abertura para a diversidade no meio da moda, Júlio afirma que os próprios corres de pretos e favelados levaram as marcas a incluírem o destaque aos modelos e estéticas periféricas.

“Ainda que muitos negros estejam sendo contratados no mercado de moda, este índice não tem aumentado devido a mudança do nada no mercado. A questão é que muita gente preta que tem possibilidade de ter uma formação acadêmica, em pequenas escalas, quando exercem cargos de diretores, chefias e diretrizes de empresas que normalmente têm comportamentos organizacionais racistas e preconceituosos, faz daquela pessoa militante na área. A mudança na inserção dos negros no mercado de moda e demais imagens que se pareçam com a população preta não está sendo feito por brancos ou empresas que reaprenderam e querem fazer certo, e sim pelos negros que, ao ver o contexto a que são submetidos, correm atrás de mudanças, ou seja, por gente negra que está lá nas empresas batendo de frente mesmo e mudando essa bagaça. Sabemos o que queremos, e por isso estamos aqui”, finalizou.

Com quase a mesma idade da empresa de Júlio, o empreendedor e estudante de moda, Felipe Abreu, de 20 anos, viralizou no Twitter com a fotos sobre a criação da própria marca: a Chain Break. O jovem de São Gonçalo viu a necessidade real de ajudar em casa financeiramente, conciliada com os estudos.

“Eu via que dava pra fazer algo novo. Mais representatividade, com conceito novo. Uma pessoa que eu me inspiro muito é o Virgil Abloh (designer de moda americano, atual diretor artístico de roupa masculino da Louis Vuitton e da sua própria marca Off-White, fundada em 2012). Mas ele é de lá de fora, então, a construção social dos negros de lá é totalmente diferente. Por ele ser negro rola essa representatividade, mas aqui no Brasil é difícil encontrar alguém negro com a base familiar igual a dele. Por isso eu vi que poderia ser essa pessoa e conseguir passar algo novo com a realidade mais perto das pessoas pretas do Brasil”, contou.

Foto: Reprodução/Instagram

No final do mês de julho, o músico Emicida respondeu no programa Roda Vida, da TV Cultura, sobre conhecer a cadeia produtiva com quem trabalha na marca dele, o Laboratório Fantasma, após pergunta sobre críticas aos preços altos de algumas pessoas que o seguem. Felipe, que confecciona, entrega e divulga a marca, tem apenas uma mão  de obra para costurar os vestuários montados por ele.

“Eu tenho contato direto com a costureira. A gente tem uma relação muito boa e não tem como baratear a mão de obra. Eu sei a vivência daquela mulher. Entrando o dinheiro das minhas roupas, entrando meus pedidos, foi algo que, nessa pandemia, ajudou ela demais tanto no sustento da família como pra ela prosseguir. Sou eu e ela na cadeia produtiva”, afirmou ele sobre a questão.

Felipe viralizou neste mês com fotos da Chain Break

Um dos sustentos da família neste momento, o início da marca foi visto como arriscado pela mãe, mas o sonho permitiu a criação sozinho da marca.

“A Chain Break traduzido significa quebra de correntes. Significa a liberdade. É minha referência do eu quero. Que as pessoas que vem de baixo quebrem barreiras e sonhem grande. O futuro tem de ser isso. Já somos impossibilitados de sonhar. A gente também pode sonhar grande”

O mundo de fantasias dos filtros do Instagram

A popularização do instagram como ferramenta de mercado de influencers de moda, maquiagem, saúde, autocuidado, esporte, psicologia etc, fez com que as pessoas buscassem outros estilos de vida. Ao abrir o Instagram, você se depara com alguma influenciadora utilizando um filtro, você acha lindo e decide experimentar também, ao usar, seu nariz é afinado, sua boca engrossa, “nascem” algumas sardas em seu rosto que também está mais magro, em segundos sua aparência está completamente diferente, podendo causar até uma distorção de imagem, que é como as pessoas vêem a si mesmas. Mesmo proibido desde 2019, os filtros que imitam cirurgias plásticas continuam circulando pela rede. A Revista Elle divulgou que, segundo o censo de 2016 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a busca por procedimentos estéticos não cirúrgicos aumentou 390% no Brasil. Entre os mais buscados estão o preenchimento labial, aplicação de botox e peeling, laser e suspensão com fios. Ainda segundo a revista, 55% das pessoas que fizeram rinoplastias em 2017 foi o desejo de sair melhor em selfies.

As influenciadoras Raíssa Galvão e Raíssa Campos, conversaram com a Corre! Mídia para comentarem o assunto. 

Para Raíssa Campos, conhecida como It Baixada, moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense, 23 anos, os filtros que mudam a fisionomia acabam

“distorcendo a imagem que temos de nós mesmos a ponto de mal nos reconhecemos no espelho, já que no fim das contas passamos boa parte do dia encarando o celular”. 

Raíssa Campos, moradora de Mesquita, mostra em seu instagram, rotinas de skincare, moda, make e autocuidado

Raíssa ressalta que é muito mais difícil para pessoas fora do padrão ganharem espaço dentro da rede social, porque o Instagram é uma rede social que trabalha principalmente com a imagem, “as pessoas estão acostumadas a só achar determinado padrão bonito. É só parar pra contar quantas blogueiras negras, gordas, trans, etc vemos com mais de 1 milhão de seguidores. No caso específico de blogueiras gordas na moda por exemplo, ainda temos uma outra questão que dificulta que é encontrar roupas bonitas e acessíveis, o que acaba pedindo muito mais criatividade na hora de montar looks legais, o mesmo acontece com blogueiras de maquiagem negras retintas.”

A influencer conta que sabia que queria trabalhar com moda desde a infância, quando sonhava em ter a própria marca de roupa. E foi quando entrou para faculdade que passou a utilizar as redes sociais como parte do trabalho. “A princípio eu compartilhava looks e dicas de coisas que eu gostava, porém só em 2017 comecei a levar o meu perfil a sério como trabalho depois de ter a oportunidade de participar e dois projetos da Avon como influenciadora”, afirmou ela. Em seu perfil, Raíssa aborda assuntos como moda acessível, com o quadro “Faça seu closet”, onde ela ensina pessoas a customizarem e até criarem peças novas, roupas de brechó, autocuidado, makes e skincare. Hoje a mesquitense possui mais de 16 mil seguidores. 

It Baixada compartilha com seus seguidores, trabalho como maquiadora e ensina a criarem suas próprias roupas. Foto: Reprodução/Instagram

“Costurando e descosturando que eu consegui encontrar meu estilo e encontrar roupas do meu tamanho e eu documentava tudo isso no meu blog” 

Já para a Raíssa Galvão, conhecida entre seus seguidores como “Ray Neon”, 24 anos, a internet entrou na sua vida como um refúgio. Aos 13 anos já sentiu na pele o peso para seguir padrões estéticos, “eu usava uns cabelos super coloridos, roupas ‘diferentonas’ e, na época, isso não era nenhum pouco normal”. Raíssa começou com a moda bem cedo com a customização de roupa.

“Eu não encontrava roupa do meu tamanho e eu também não tinha dinheiro. Eu comprava em bazar, costurava e pedia para minha mãe costurar também. A gente arrumava a roupa e fazia caber em mim e ficar de um jeito gostasse do meu estilo. E sempre foi assim, costurando e descosturando que eu consegui encontrar meu estilo e encontrar roupas do meu tamanho e eu documentava tudo isso no meu blog” .

Foto: Reprodução/Instagram

Ray Neon, que compartilha com seus 281k de seguidores os looks, o dia a dia, e levanta a bandeira de aceitação ao corpo, estourou na rede quando a Revista Elle fez uma matéria sobre suas roupas exuberantes para o festival Lollapalooza. “Na matéria eu era a menina mais estilosa do Lollapalooza,  em nenhum momento o fato de ser gorda foi citado, eu era só a “menina”, contou Ray. Para a criadora de conteúdo, a moda é expressão, ela serve para mostrar quem você é de primeira e também de mostrar quem você quer ser.

“A Roupa tem essa habilidade de transformar tudo. Na faculdade eu já fui vestida de Ney Matogrosso, de David Bowie, caveira mexicana ou 50 mil alter egos, porque a roupa te permite e a vida é muito curta para ser uma pessoa só também”

Para a blogueira, “o Instagram pode ser um gatilho, ou um aliado e eu decidi usar como um aliado”. Ela compartilha que é necessário furar a bolha da padronização, e seguir pessoas que representem a gente ou que sejam diferentes, para poder quebrar os estereótipos e tentar se desconstruir.

“O filtro é uma coisa muito tóxica, é claro que você pode usar de vez em quando, mas presta atenção se isso está mudando a forma do seu rosto, se isso está te fazendo enxergar de uma forma que você não é”. E conclui que “todo mundo sofre com pressão e todas as mulheres gordas sofrem com gordofobia e é incrível abrir meu Instagram e ver várias mulheres gordas ali, diferentes, com estilos e personalidades diferentes, ganhando notoriedade e representatividade na mídia”

A influenciadora Raíssa Neon, aborda em sua rede social, moda, make, relacionamento, veganismo, yoga e questões como aceitação ao corpo gordo. Foto: Reprodução/Instagram

A estética de quem faz

A moda era e – infelizmente – ainda é vendida para nós pelos olhos de pessoas brancas. A atriz Jéssica Ellen, 29 anos, compartilhou em seu Instagram, que sua primeira experiência com a moda, aos 8 anos, gerou uma relação de ódio entre ela e o ramo. Essa desumanização do corpo negro, onde a sociedade não enxerga beleza nos traços e no cabelo crespo, afeta não somente a atriz, ela até hoje assombra crianças negras, quando por exemplo, na mídia ou nas redes, vemos apenas corpos magros e brancos. Quando na passarela, a maioria das modelos são brancas e nas novelas, as atrizes negras possuem poucos minutos de fala, atuando em papéis menores. 

A internet nos vende isso o tempo inteiro, basta pesquisarmos os 10 mais seguidos no Instagram brasileiro, apenas 3 são negros e todos são jogadores de futebol e entre os 10 influenciadores mais seguidos, nenhum é negro. 

Apesar de haver inúmeros criadores de conteúdos negros e em diversas áreas, como Nathaly Neri, Maga Moura, Josy Ramos, Suyane Ynaya, Gabi de Pretas, Rodrigo França, Yuri Marçal, entre vários outros, quando abrimos a aba “explorar” do Instagram, os conteúdos indicados na maioria das vezes, mesmo se você seguir perfis mais diversos, são de pessoas padrões. 

Para conquistar um espaço na rede, os influenciadores negros precisam se desdobrar, criar conteúdos inovadores, falar de diversos assuntos e mesmo assim, não terá o mesmo engajamento que uma influenciadora padrão, que não possui um conteúdo tão bom e criativo. 

Para Lucas Santos, 24 anos, fotógrafo e influenciador, a rede social é “incrível quando as pessoas te encontram, elas te abraçam por você ser diferente. Mas é difícil seu conteúdo chegar a essas pessoas. É muito difícil ganhar esse espaço, eu sou boicotado até pela plataforma e pelas pessoas, porque as pessoas não curtem esse tipo de conteúdo”. 

Morador do Complexo da Maré desde sempre, Lucas enfrentou o preconceito quando ainda era uma criança. Ele relata que por ser negro e afeminado, sua história foi árdua.

“Sustentar tudo que eu sustento é difícil, no ambiente da favela é cobrado esse padrão do homem preto, e olha que não sou retinto, então quanto mais retinto, mais é cobrada essa masculinidade”.

Lucas compartilha com seus seguidores, dicas de look, fotografia, edição de imagem, autocuidado e empoderamento

Quando ainda era mais jovem, Lucas tentava se esconder, mas hoje enxerga a moda como uma maneira de se expressar  e  também como “um ato de militância. Um homem preto, na rua ou na favela, que é de onde eu venho […] um cara negro de saia, é um ato de militância e também de expressão”. 

Lucas Santos, enxerga suas roupas como peças, não vê nelas, “roupa de menina ou menino”

Ele conta que se interessou por moda aos 12 anos, quando viu nela uma oportunidade de se encaixar no mundo, já que estava sendo excluído por ela.

“Eu sempre me sentia deslocado, porque um menino preto, de cabelo raspado não é interessante, talvez um branco, com aquela ‘cambuquinha’ que era o cabelo liso do ‘playsson’, e todas aquelas tendências de 2009, que todo garoto queria ser e ter, não eram pra mim. Eu achava que a moda, se eu estivesse em todas as tendências, iria me encaixar. Óbvio que não me encaixei. Logo descobri uma forma de me expressar, como falei anteriormente, um ato de militância, então não vou fazer mais para me encaixar, vou fazer para que vocês vejam quem eu sou, o que expresso. Tem muita gente aí guardada dentro de si, tendo medo. Com meu papel de criador de conteúdo, tem mais de 40 mil pessoas que me seguem, me acompanham e me veem como referência”.

As histórias de Lucas, Ray, Raíssa, Felipe, Júlio e outros milhares mostra que um dos pontos centrais da moda é representar quem você realmente é. Expor para o mundo sua forma de viver, é uma forma de conquistar o lugar que foi negado, seja financeiramente ou por não ter um corpo que se encaixe no padrão aceito pelo mundo. A moda vai além de vaidades, ela estimula a autoestima de jovens que tiveram sua beleza negada na infância, fortalece e cria laços, inspira e faz parte da história. A moda não é só sobre se vestir, é sobre quem você é.

Leave a Reply

Your email address will not be published.